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terça-feira, 20 de setembro de 2011

20 de Setembro - Orgulho de um povo

O Rio Grande do Sul é como aquele filho que sai muito diferente do resto da família. A gente gosta, mas estranha. O Rio Grande do Sul entrou tarde no mapa do Brasil. Até o começo do século XIX, espanhóis e portugueses ainda se esfolavam para saber quem era o dono da terra gaúcha. Talvez por ter chegado depois, o Estado ficou com um jeito diferente de ser.
Começa que diverge no clima: um Brasil onde faz frio e venta, com pinheiros em vez de coqueiros, é tão fora do padrão quanto um Canadá que fosse à praia.
Depois, tem a mania de tocar sanfona, que lá no RS chamam de gaita, e de tomar mate em vez de café.
Mas o mais original de tudo é a personalidade forte do gaúcho.
A gente rigorosa do sul não sabe nada do riso fácil e da fala mansa dos brasileiros do litoral, como cariocas e baianos. Em lugar do calorzinho da praia, o gaúcho tem o vazio e o silêncio do pampa, que precisou ser conquistado à unha dos espanhóis.
Há quem interprete que foi o desamparo diante desses abismos horizontais de espaço que gerou, como reação, o famoso temperamento belicoso dos sulinos.
É uma teoria – mas conta com o precioso aval de um certo Analista de Bagé, personagem de Luis Fernando Veríssimo que recebia seus pacientes de bombacha e esporas, berrando: “Mas que frescura é essa de neurose, tchê?”
Todo gaúcho ama sua terra acima de tudo e está sempre a postos para defendê-la. Mesmo que tenha de pagar o preço em sangue e luta. Gaúcho que se preze, já nasce montado no bagual (cavalo bravo).
E antes de trocar os dentes de leite, já é especialista em dar tiros de laço. Ou seja, saber laçar novilhos à moda gaúcha, que é diferente da moda americana, porque laço é de couro trançado em vez de corda, e o tamanho da laçada ou armada é bem maior, com oito metros de diâmetro em vez de dois ou três.
Mas por baixo do poncho bate um coração, capaz de se emocionar até as lágrimas em uma reunião de um Centro de Tradições Gaúchas, o CTG, criados para preservar os usos e costumes locais. Neles os durões se derretem: cantam, dançam e até declamam versos em honra da garrucha, da erva-mate e outros gauchismos.
Um dos poemas prediletos é “Chimarrão”, do tradicionalista Glauco Saraiva, que em estrofes como: “E a cuia, seio moreno que passa de mão em mão, traduz no meu chimarrão a velha hospitalidade da gente do meu rincão.” (Bem, tirando o machismo do seio moreno, passando de mão em mão, até que é bonito).
Esse regionalismo exarcebado, costuma criar problemas de imagem para os gaúchos sempre acusados de se sentirem superiores ao resto do País.
Não é verdade – mas poderia ser, a julgar por alguns dados e estatísticas.
O Rio Grande do Sul, é possuidor do melhor índice de desenvolvimento humano do Brasil, de acordo com a ONU, do menor índice de analfabetismo do País, segundo o IBGE e o da população mais longeva da América Latina, (tendo Veranópolis a terceira cidade do mundo em longevidade), segundo a Organização Mundial da Saúde.
E ainda tem as mulheres mais bonitas do País, segundo a Agência Ford Models.
Além do gaúcho, chamado de “machista”, qual outro povo que valoriza a mulher a ponto de chamá-la de prenda (que quer dizer algo de muito valor)?
Macanudo, tchê. Ou, como se diz em outra praças: “legal às pampas”, uma expressão que, por sinal, veio de lá.

Nota extraída do Jornal de Brasília/DF
Publicada em 14/09/2003
Grupo Rodeio - De Tanto Pelear

Abraços,
Rafa.

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